“Uma coisa que eu aprendi na vida: Deus não te tira as coisas, Ele te livra delas.”
(Caio Fernando Abreu)
“Uma coisa que eu aprendi na vida: Deus não te tira as coisas, Ele te livra delas.”
(Caio Fernando Abreu)
São as tuas miudezas que me fazem forte, amor. A tua face expande os meus sentidos, me sinto feroz, viva, grande. Pareço planta que resiste até as épocas de seca, só porque você me rega, me cuida, não deixa que eu seque, que eu murche, me faz florescer. Você é pássaro e me faz querer ser livre, viro pássaro também, só pra te completar, só pra eu ser inteira. Faço morada em tuas asas, repouso o meu beijo em teu ninho, te reencontro em cada novo vôo. Sou qualquer coisa que eu quiser, desde que você me queira pra ti.
Poderiamos casar. Teríamos um apartamento, tomaríamos café as cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário, de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegariamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia, saberíamos.
Olha, eu não sei se você sabe, mas você tem me feito bem, menino, tem me feito grande, é que até os dias de chuva, com toda a sua melancolia, conseguem ficar animados com a tua presença inquieta de criança que acabou de ganhar um brinquedo novo. É gentil de sua parte me desejar assim, tão cheia de cicatrizes, desconcertada e de marcas feito a fogo, é mais gentil ainda você prometer cuidar de cada uma delas, passar o remédio gentil do tempo, até que tudo passe. Eu havia fechado a porta da frente, sabe? mas você me fez abrir as janelas e te deixar entrar, com aquela cara de que valia a pena, valia o risco, valia tudo. E presta atenção, menino, eu não sei se você sabe, mas esse bem que você me faz eu quero te fazer também
— Caio F. (via lololzete)